A MENTIRA DO SALÁRIO MÍNIMO…

Terça-Feira, 15 de Fevereiro de 2011

15/02/2011 – 07h00

Centrais dizem ter maioria para mínimo de R$ 560

Sindicalistas afirmam ter votos suficientes para derrubar aumento proposto pelo governo, mas defendem acordo até a última hora para evitar confronto dentro da base aliada

Antônio Cruz/ABr
Aguardado no plenário da Câmara, Mantega diz que governo não abre mão do mínimo de R$ 545

Eduardo Militão

As centrais sindicais apostam que conseguirão um acordo com o governo para aprovar na Câmara um salário mínimo de R$ 560. O valor R$ 15 acima do que quer o Planalto seria uma antecipação de parte do reajuste previsto para 2012. Até o final da tarde de ontem (14), os sindicalistas acreditavam ter o apoio de mais da metade da Câmara para a aprovação do novo valor. Mesmo confiantes na possibilidade de derrubar o mínimo proposto pelo governo, eles defendem um acordo com o Planalto, ainda que na última hora, para evitar o confronto dentro da própria base aliada. Os principais líderes sindicais são filiados a partidos que apoiam o governo Dilma. A votação está prevista para amanhã (16).

A proposta dos sindicalistas é considerada “simpática” pelo relator da matéria, Vicentinho (PT-SP), ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Mas o governo, por enquanto, diz não abrir mão de aumentar o salário mínimo apenas para R$ 545. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, negou a hipótese de um plano “B”, como querem as centrais.

Atualmente o salário mínimo está fixado em R$ 540. Esta é a primeira desde 2007 que o piso salarial não subiu acima da inflação, exatamente por conta de um acordo entre as centrais e o governo, que previa reajustes somando-se a inflação com o crescimento da economia de dois anos anteriores. Como em 2009, o PIB ficou negativo, o aumento que o governo concedeu significa apenas a reposição inflacionária do ano passado.

As oposições – que, apesar de alguns entendimentos diferentes, devem se unir à proposta das centrais –, estão mais otimistas em conseguirem uma vitória contra o governo. “Claro que o governo é favorito, mas nós temos chances. Estou otimista”, afirmou o líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), ao Congresso em Foco.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), diz que a proposta das centrais tem a simpatia da base aliada. “A situação está boa. Por isso, temos de fazer um acordo”, avaliou ele. Vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), o deputado Roberto Santiago (PV-SP) é o autor da emenda dos R$ 560 como antecipação do reajuste de 2012. Ele acredita ter o apoio de mais de 257 deputados, incluídos aí entre “15% a 20% de traição” de PT e PMDB. Entretanto, Santiago também defende a estratégia de um novo acordo com o governo.

O MÍNIMO EM DISCUSSÃOSalário mínimo vigente: R$ 540 

PROPOSTAS EM DISCUSSÃO

— Governo: R$ 545 (só reposição da inflação)
— Centrais: R$ 560 (inflação e mais 3%. Valor a mais seria antecipado do aumento de 2012)
— DEM: R$ 560 (sem antecipação do aumento de 2012)
— PSDB: R$ 600 (valor defendido por José Serra na campanha eleitoral)

HOJE: Reuniões entre representantes do governo e partidos da base e oposição pela manhã. Comissão Geral no plenário da Câmara, incluindo as centrais sindicais.

QUARTA-FEIRA: Votação no plenário da Câmara do projeto do governo que eleva o salário mínimo para R$ 545 e cria uma política de aumentos acima da inflação para o período de 2012 a 2015

OUTROS PLEITOS DOS SINDICALISTAS
— Correção da tabela de imposto de renda para mais de 6%. Governo acena com 4,5%
— Aumento das aposentadorias de quem ganha mais de um salário mínimo em 2,4% acima da inflação

O relator da proposta, Vicentinho, disse ao Congresso em Foco que ter “simpatia” pela alternativa dos sindicalistas. “Torço por um novo acordo”, afirmou ele na quarta-feira passada, antes de ser designado relator da matéria.

Punições

Ontem, Luiz Sérgio esteve na reunião de coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). O assunto foi salário mínimo. O ministro negou que tivessem sido discutidas eventuais punições a parlamentares que não votassem com o governo, apesar de líderes preverem retenção e cancelamento de emendas dos infiéis, como mostrou o Congresso em Foco.

“Nós acreditamos que os aliados não faltarão, acima de tudo, ao país, nesse momento muito importante que nós estamos vivendo”, disse Sérgio, na tarde de segunda-feira. Pelo acordo das lideranças, as votações do salário mínimo serão nominais, quando cada deputado diz como votou em cada emenda apresentada.

O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), disse acreditar que a maioria de sua bancada apoiará o Planalto, mas negou fidelidade completa. “É natural que tenha dissidências, até porque alguns membros do partido votaram no [José] Serra, que defendeu durante a campanha um salário de R$ 600”, escreveu ele em seu site no twitter ontem à tarde. “Respeito as naturais dissidências, mas espero uma defesa maciça do PMDB na votação desta semana.”

Constrangimento

Na manha desta terça-feira (15), Luiz Sérgio e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, farão uma série de reuniões com os partidos da oposição e da base. Luiz Sérgio vai, inclusive, participar do almoço semanal dos líderes aliados organizado por Vaccarezza.

O PDT de Paulinho vai conversar com parlamentares da oposição e buscar até um encontro com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Pelo acordo entre governo e oposição, a emenda dos tucanos, de salário mínimo de R$ 600, será votada antes das propostas de R$ 560 e R$ 545. Paulinho teme que isso atrapalhe os deputados aliados com a alternativa das centrais. “Os R$ 600 constrangem os deputados. Como eu vou votar contra um aumento maior do que estou propondo”, avisou Paulinho. A ideia dele é convencer Aécio, um dos nomes fortes no partido, a demover os colegas deputados da ideia de um salário mínimo tão alto.

O plenário da Câmara se transformará numa sessão de debates nesta terça-feira, a partir das 15h, a chamada comissão geral. Os presidentes das centrais sindicais participarão do debate. A assessoria do presidente da CUT, Artur Henrique, disse que ele deve chegar a Brasília até as 14h. A reportagem não obteve retorno do deputado Vicentinho ontem.

Está prevista uma manifestação das centrais no Congresso hoje por um mínimo de R$ 560. Haverá ainda a participação do Movimento dos Sem Terra (MST), segundo os sindicalistas. Na quarta-feira, haverá mais protesto, junto com funcionários públicos que inicial campanha salarial.

Saiba tudo sobre o salário mínimo

Luiz Sérgio nega plano “B” para mínimo de R$ 560

ComentarVer Todos os Comentários

Bruno (15/02/2011 – 08h53)

Isso é conversa fiada das centrais. O governo vai ganhar essa votação nadando de braçada. Com mais de 400 deputados na base dos partidos aliados e num governo que está começando, quem vai querer ficar contra o Palácio do Planalto? Votar contra o governo, fazendo demagogia com um aumento que todos sabem que o País hoje não pode pagar, significará perder o direito às benesses do poder – indicação para cargos no Executivo, execução de emendas orçamentárias etc.

FOTO NO CONGRESSO NACIONAL

PRESIDINDO SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Anúncios

Sobre REGINALDO GERMANO

Reginaldo da Silva Germano, nascido em 21 de Setembro de 1954, na Cidade do Rio de Janeiro, no Bairro de Acari, Casado pai de quatro filhos, Avô de seis netos, com formação superior incompleta, Radialista, Ex-Deputado Federal por dois mandatos, Pastor Evangélico, Fundador e Presidente da Igreja do Evangelho e do Amor de DEUS, situada na Rua Tonico de Pina, 440, Cidade de Anápolis, Estado de Goiás, Brasil.
Esse post foi publicado em Notícias e política, Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para A MENTIRA DO SALÁRIO MÍNIMO…

  1. Até quando o Tribunal de Contas da União vai permitir essa imoralidade, é preciso uma posição de quem tem direito. O povo elegeu um Congresso para representar a sua vontade diante do Governo, e esse Congresso é obrigado a seguir a votação do Governo no projeto do salário. O salário mínimo proposto pelo governo, não atende as necessidades da maior parte da população que vive desse mecanismo criado para sustentar uma família de no mínimo quatro pessoas. Para obrigar os parlamentares a seguir a votação, o governo ameaça cortar emendas parlamentares, deixar de atender os pleitos do parlamentar que votar contra o governo e a favor dos anseios do povo.

    As emendas parlamentares servem para que os deputados atendam suas bases de votação, com elas, os Deputados podem propor vários tipos de obras sociais que o governo não consegue atender. Os demais pleitos envolvem nomeação para cargos de qualquer escalão no governo federal, se o Deputado não votar contra o povo e a favor do governo, perde a oportunidade de indicar seus aliados para compor a administração pública. Fica mal com seus eleitores que o elegeram para atender seus pleitos.

    Era hora do Ministério Público Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil tomarem uma posição quanto a isso, o nome dessa operação é: CORRUPÇÃO, ou seja, o governo está corrompendo o Congresso Nacional para votar segunda a sua orientação sob pena de ter o seu mandato prejudicado.

    Os âncoras de programa de televisão principalmente que a todo momento jogam o povo contra o Congresso deveriam agora informar ao povo, que o governo está ameaçando os deputados que podem até perder o mandato dependendo da vontade do partido. Se abrir processo de expulsão por desobedecer a orientação do partido na votação, o deputado poderá até ser expulso e perder o mandato.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s